MINHA VISÃO SOBRE
DEUS
Não tenho certeza disto. Talvez
você que esteja lendo este texto possa estar se perguntando “por que ela não
acredita em Deus?” ou “Deus sabe tudo de nós” ou “Como assim ela não acredita?”,
ou qualquer outra frase neste sentido. Geralmente eu sei destes argumentos,
pois venho de uma família católica por parte de mãe, e protestante por parte de
pai. Devido à vida, tive mais contato com a parte católica, e vivi na carne e
na minha alma o batismo, a primeira comunhão e a crisma.
Vivi certas experiências que para
mim Deus realmente existia e ele já havia traçado meu caminho. Eu costumava
pedir muito a Deus as coisas, rezava, fazia o sinal da cruz antes de dormir,
rezava o santo anjo, rezava o terço, gostava de algumas músicas das missas, mas
geralmente elas (as missas) eram chatas para mim. Lembro que certa vez em uma
missa eu olhei tanto para a imagem de Jesus Cristo na cruz, que juro que ele
piscou para mim e fechou os olhos. E fui crescendo, e com a idade minha
preguiça de ir a missa só aumentava. Lembro que no começo, os domingos que eu
não ia, eu me sentia muito culpada.
Porém chegou um dia em que eu sofri uma decepção amorosa. Considero esta decepção como meu gatilho para parar de acreditar em Deus definitivamente. Eu fui á igreja, pedindo para esquecer esta pessoa, porém isto não veio. Talvez tenha sido birra minha parar de acreditar por causa disto. O fato é que, provavelmente, se eu revelar isto a todos, comentários do tipo "Tem que ser no tempo de Deus" surgirão como bombardeios, e para mim é uma desculpa para dar conforto a um sentimento de angústia. Uma das vantagens da religião justamente é esta, que ela dá explicações e confortos aos sofrimentos.
Porém chegou um dia em que eu sofri uma decepção amorosa. Considero esta decepção como meu gatilho para parar de acreditar em Deus definitivamente. Eu fui á igreja, pedindo para esquecer esta pessoa, porém isto não veio. Talvez tenha sido birra minha parar de acreditar por causa disto. O fato é que, provavelmente, se eu revelar isto a todos, comentários do tipo "Tem que ser no tempo de Deus" surgirão como bombardeios, e para mim é uma desculpa para dar conforto a um sentimento de angústia. Uma das vantagens da religião justamente é esta, que ela dá explicações e confortos aos sofrimentos.
Ler alguns livros, fazer
faculdade ou refletir sobre dúvidas minhas sobre Deus, foram essenciais para
concretizar os meus pensamentos também. A faculdade me abriu os olhos para muitas
coisas e me ajudou a mudar, porém eu precisei permitir esta mudança em mim. Um
dos primeiros livros que li foi O livro do amor. Este livro, composto em dois
volumes, conta a história do amor (óbvio demais?), com fatos históricos e que
envolve também a história da religião, e a história do monoteísmo, a história
da criação de Deus. E começou um processo de dúvida, um processo de procurar
mais leituras que justificassem aquele ponto de vista do livro, além de poder
traduzir o que havia em mim, traduzir o que estava me levando a não acreditar
mais em Deus. Era novo para mim, porque somente meu pai era ateu e ele nem
morava conosco, e não tinha mais ninguém assim no resto da minha família.
Hoje com 21 anos, eu digo que não
acredito, mas não duvido de que um dia posso voltar a acreditar. A ideia de
Deus sempre me pareceu muito fantasiosa, incompreensível, com histórias que
não, ao meu entender, eram facilmente justificadas. Porém sempre havia uma explicação
para tudo, e “eu não poderia questionar as razões de Deus” como disse minha
avó. Foi, além disso, que questionei e me questiono até hoje. Eu tive alguns
pensamentos um pouco ignorantes do tipo de achar que pessoas que acreditavam em
Deus eram todas alienadas. Porém só fui pensar que as coisas não eram bem por
este caminho quando eu parei de acreditar e sofri as angústias de não acreditar
em Deus. Parar de acreditar em Deus significou, para mim, não ter uma razão
para viver. Eu pensava que não tinha propósito algum, e continuo pensando
nisso. Todas as situações da minha vida não acontecem para determinada coisa,
para que eu aprenda alguma coisa, pois elas simplesmente acontecem e eu
interpreto estas situações de acordo com o que eu enxergo do mundo. Eu prefiro
acreditar que eu sou a única responsável por dar sentido a minha vida, e devo
dizer que é difícil. Não encontrei ainda meu caminho definitivo, e
provavelmente jamais encontrarei.
Outras coisas que estão ligadas a
ideia de Deus é o futuro, e que a Ele pertence. Não tenho mais esta crença. Desde
criança acreditava que as coisas aconteciam “porque era para ser assim”. Depois
de algumas autoanálises eu parei de acreditar nisto. Eu comecei a acreditar não
em um futuro pré-definido, mas um futuro indefinido e que simplesmente acontece
e não que Deus havia escrito no meu livro da vida. Por exemplo: outro dia
falava com uma colega da faculdade sobre isto, e explicava a ela que achei
minha terapeuta muito por acaso. E tentava explicar a ela que foi tão aleatório
a minha escolha, tão sem querer e que eu não sabia da existência da minha terapeuta,
para mim não tinha que acontecer e simplesmente aconteceu. Ela argumentava, e
dizia que dentre todas estas possibilidades tinha que ser essa terapeuta, e que
se não tivesse ocorrido eventos posteriores eu não teria chegado a ela. Admiti
e concordei que claro algumas escolhas que fiz influenciaram até certa parte, porém
não estava pré-determinado o que iria ocorrer. Hoje eu penso que, e se eu
tivesse chegado à porta do consultório e desistido?, e se eu tivesse mudado de
ideia quando estava naquela rua? Aí cara, a gente não chegou à conclusão
nenhuma, ela tinha a opinião dela e eu tinha a minha, e nosso assunto acabou quando a professora entrou na sala.