sexta-feira, 15 de abril de 2016

MINHA VISÃO SOBRE DEUS

Não tenho certeza disto. Talvez você que esteja lendo este texto possa estar se perguntando “por que ela não acredita em Deus?” ou “Deus sabe tudo de nós” ou “Como assim ela não acredita?”, ou qualquer outra frase neste sentido. Geralmente eu sei destes argumentos, pois venho de uma família católica por parte de mãe, e protestante por parte de pai. Devido à vida, tive mais contato com a parte católica, e vivi na carne e na minha alma o batismo, a primeira comunhão e a crisma.

Vivi certas experiências que para mim Deus realmente existia e ele já havia traçado meu caminho. Eu costumava pedir muito a Deus as coisas, rezava, fazia o sinal da cruz antes de dormir, rezava o santo anjo, rezava o terço, gostava de algumas músicas das missas, mas geralmente elas (as missas) eram chatas para mim. Lembro que certa vez em uma missa eu olhei tanto para a imagem de Jesus Cristo na cruz, que juro que ele piscou para mim e fechou os olhos. E fui crescendo, e com a idade minha preguiça de ir a missa só aumentava. Lembro que no começo, os domingos que eu não ia, eu me sentia muito culpada.

Porém chegou um dia em que eu sofri uma decepção amorosa. Considero esta decepção como meu gatilho para parar de acreditar em Deus definitivamente. Eu fui á igreja, pedindo para esquecer esta pessoa, porém isto não veio. Talvez tenha sido birra minha parar de acreditar por causa disto. O fato é que, provavelmente, se eu revelar isto a todos, comentários do tipo "Tem que ser no tempo de Deus" surgirão como bombardeios, e para mim é uma desculpa para dar conforto a um sentimento de angústia. Uma das vantagens da religião justamente é esta, que ela dá explicações e confortos aos sofrimentos. 

Ler alguns livros, fazer faculdade ou refletir sobre dúvidas minhas sobre Deus, foram essenciais para concretizar os meus pensamentos também. A faculdade me abriu os olhos para muitas coisas e me ajudou a mudar, porém eu precisei permitir esta mudança em mim. Um dos primeiros livros que li foi O livro do amor. Este livro, composto em dois volumes, conta a história do amor (óbvio demais?), com fatos históricos e que envolve também a história da religião, e a história do monoteísmo, a história da criação de Deus. E começou um processo de dúvida, um processo de procurar mais leituras que justificassem aquele ponto de vista do livro, além de poder traduzir o que havia em mim, traduzir o que estava me levando a não acreditar mais em Deus. Era novo para mim, porque somente meu pai era ateu e ele nem morava conosco, e não tinha mais ninguém assim no resto da minha família.

Hoje com 21 anos, eu digo que não acredito, mas não duvido de que um dia posso voltar a acreditar. A ideia de Deus sempre me pareceu muito fantasiosa, incompreensível, com histórias que não, ao meu entender, eram facilmente justificadas. Porém sempre havia uma explicação para tudo, e “eu não poderia questionar as razões de Deus” como disse minha avó. Foi, além disso, que questionei e me questiono até hoje. Eu tive alguns pensamentos um pouco ignorantes do tipo de achar que pessoas que acreditavam em Deus eram todas alienadas. Porém só fui pensar que as coisas não eram bem por este caminho quando eu parei de acreditar e sofri as angústias de não acreditar em Deus. Parar de acreditar em Deus significou, para mim, não ter uma razão para viver. Eu pensava que não tinha propósito algum, e continuo pensando nisso. Todas as situações da minha vida não acontecem para determinada coisa, para que eu aprenda alguma coisa, pois elas simplesmente acontecem e eu interpreto estas situações de acordo com o que eu enxergo do mundo. Eu prefiro acreditar que eu sou a única responsável por dar sentido a minha vida, e devo dizer que é difícil. Não encontrei ainda meu caminho definitivo, e provavelmente jamais encontrarei.


Outras coisas que estão ligadas a ideia de Deus é o futuro, e que a Ele pertence. Não tenho mais esta crença. Desde criança acreditava que as coisas aconteciam “porque era para ser assim”. Depois de algumas autoanálises eu parei de acreditar nisto. Eu comecei a acreditar não em um futuro pré-definido, mas um futuro indefinido e que simplesmente acontece e não que Deus havia escrito no meu livro da vida. Por exemplo: outro dia falava com uma colega da faculdade sobre isto, e explicava a ela que achei minha terapeuta muito por acaso. E tentava explicar a ela que foi tão aleatório a minha escolha, tão sem querer e que eu não sabia da existência da minha terapeuta, para mim não tinha que acontecer e simplesmente aconteceu. Ela argumentava, e dizia que dentre todas estas possibilidades tinha que ser essa terapeuta, e que se não tivesse ocorrido eventos posteriores eu não teria chegado a ela. Admiti e concordei que claro algumas escolhas que fiz influenciaram até certa parte, porém não estava pré-determinado o que iria ocorrer. Hoje eu penso que, e se eu tivesse chegado à porta do consultório e desistido?, e se eu tivesse mudado de ideia quando estava naquela rua? Aí cara, a gente não chegou à conclusão nenhuma, ela tinha a opinião dela e eu tinha a minha, e nosso assunto acabou quando a professora entrou na sala.